dezembro 12, 2012

12/12/12 é apenas uma coincidência bonitinha


Embora muitos façam espetaculações a respeito da data 12/12/12, não há nada de especial para esse dia já que é apenas uma data do calendário. Essa coincidência numérica também já aconteceu em 12/12/1912, 12/12/1812, 12/12/1012 e não marcaram nada de especial, apenas é uma rima bonitinha. Os números contém mistérios conforme demonstrado por Pitágoras, mas nada a ver com calendário.

Calendário deriva de Calendae que indicava o primeiro dia de um mês romano. Calendarium ou Livro de registro, era o antigo sistema que os romanos usavam para contar os dias do mês e assim organizar a sua rotina, bem como todos os dias do ano. Portanto, calendário é uma invenção humana criada para que se pudesse ter uma organização diária de contas e eventos. 

Antes de ser criado o calendário, os romanos tinham meses lunares que começavam a cada Lua Nova. O primeiro dia da Lua Nova era chamado de Calendas e nesse dia o povo era convocado a ir ao Capitólio para receber as informações sobre as celebrações religiosas daquele mês. O calendário dos gregos não tinha calendas e assim os romanos conceberam a expressão “Ad calendas graecas” para referir-se a "algo que nunca iria ocorrer".

Os calendários antigos baseavam-se em meses lunares ou nos calendários lunares. Basicamente, todos os sistemas de calendário utilizam a contagem do ano a partir do ciclo da estações para facilitar o planejamento agrícola. Alguns usavam a contagem do ciclo da Lua e, como o mês lunar não se encaixava exatamente dentro do ano tropical, os calendários lunares passaram a compensar com um mês extra para realinhar os meses com as estações.
  • O Calendário islâmico utiliza o calendário lunar que é sincronizado com o movimento da Lua, portanto para os islâmicos estamos no ano 1434. 
  • O Calendário Persa ou Iraniano utiliza o calendário solar que é sincronizado com o movimento do Sol, portanto para os iranianos estamos no ano 1391.
  • O Calendário Hebraíco e o Calendário Chinês usam o calendário luni-solar que é sincronizado com o movimentos do Sol e da Lua, portanto para os chineses estamos no ano 4710 e para os judeus estamos no ano 5773. 
  • Alguns calendários eram sincronizados com o movimento de Vênus, como o Calendário Egípcio e a sincronização com Vênus ocorria principalmente em civilizações próximas ao equador, tal como o Calendário dos Maias.
  • O Calendário Juliano não é sincronizado nem com o Sol nem com a Lua, enumera os dias dentro dos meses que são mais longos que o ciclo lunar e portanto segue o ciclo das estações. 
  • Mas como o múltiplo exato de 365,2422 dias sai fora da sincronia das estações, o Calendário Gregoriano passou a ser usado na maior parte dos países do ocidente. Essa sincronização feita para ajustar o tempo provavelmente terá de ser refeita próximo ao ano 4000, mas nada mudará apenas será uma alteração de calendário. 

O Calendário Gregoriano tem origem europeia e é o mais usado oficialmente pela maioria dos países. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em substituição do Calendário Juliano implantado pelo líder romano Júlio César em 46 a.C. Por praticidade, convencionou-se utilizá-lo para demarcar o ano civil no mundo inteiro, facilitando o relacionamento entre as nações. Oficialmente, o primeiro dia deste novo calendário foi em 15 de Outubro de 1582. 

A unidade básica para contagem do tempo é o dia, que corresponde ao período transcorrido entre o nascer do Sol até outro seguinte. O mês lunar corresponde ao período entre duas lunações, ou seja, entre uma Lua Nova até a ocorrência da seguinte tendo um período aproximado de 29 dias e 1/2.

O ano solar é o período de tempo decorrido para completar um ciclo de estações: primavera, verão, outono e inverno, tendo duração de aproximadamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 47 segundos (365,2422 dias). A cada quatro anos, as horas extras acumuladas são reunidas no dia 29 de Fevereiro, formando o ano bissexto, ou seja, o ano com 366 dias. 


Pitágoras

Capo Colonna é uma parte da cidade de Crotone na Itália onde há uma série de vestígios arqueológicos que testemunharam o período Magna Grécia, possivelmente o tempo mais frutífero que Crotone já conheceu. Foi durante esse tempo que Pitágoras de Samo escolheu a cidade como o local para sua escola. Das muitas lendas de Crotone, as mais intrigantes são as que envolve Pitágoras, o famoso matemático de Samos que viveu entre cerca de 571 a.C. e 570 a.C. 
 


Durante seus estudos, Pitágoras percorreu por 30 anos pelo Egito, Babilônia, Síria, Fenícia e talvez a Índia e a Pérsia, onde acumulou ecléticos conhecimentos de astronomia, matemática, ciência, filosofia, misticismo e religião. Ele foi contemporâneo de Tales de Mileto, Buda, Confúcio e Lao-Tsé. Quando retornou à sua cidade natal, indispondo-se com o tirano Polícrates, emigrou para o sul da Itália em Crotone que era de dominação grega.

Historicamente Pitágoras foi uma figura imprecisa, sendo difícil separar sua história das lendas a seu respeito. Nada deixou escrito e tudo o que se sabe dele deve-se à tradição oral. Dizia-se que o mestre Pitágoras vivia repetindo aos seus discípulos: "Todas as coisas se assemelham aos números". Ele teria chegado à concepção de que todas as coisas são números e o processo de libertação da alma seria resultante de um esforço basicamente intelectual.

A purificação resultaria de um trabalho intelectual, que descobre a estrutura numérica das coisas tornando a alma como uma unidade harmônica. Nesse caso, os números não seriam símbolos mas valores de grandezas, ou seja, o mundo não seria composto dos números 0, 1, 2, etc., mas dos valores que eles exprimem. Assim, uma coisa manifestaria externamente a estrutura numérica, sendo esta coisa o que é por causa deste valor.


Em Crotone Pitágoras fundou a Escola Pitagórica, que pode ser considerada a Primeira Universidade do Mundo. A Escola Pitagórica e as suas atividades foram envoltas por um véu de lendas, uma entidade parcialmente secreta que tinha centenas de alunos atraídos pelos ideais de respeito e justiça em harmonia com a natureza, que compunham uma irmandade religiosa e intelectual.

Pitágoras ensinava sobre a reencarnação, o aperfeiçoamento do homem, astronomia, as virtudes e a obrigação com os deveres sociais. O mestre cobrava uma disciplina austera, acreditando que o mal que atrasa a evolução do indivíduo tem origem nos abusos, nos vícios e, por consequência, no descontrole emocional.

Segundo o pensamento pitagórico, a disciplina vegetariana, a libertação dos desejos grosseiros e da ganância, a capacidade de perdoar as ofensas, o controle do egoísmo e do medo, fortaleceriam o caráter, mudariam a visão curta da vingança para aquela mais longa do perdão que encerra a dolorosa corrente do "olho por olho".

Para Pitágoras, cada homem é em si mesmo, em absoluto, o caminho, a verdade, a vida, uma antecipação do reino de Deus que está em cada um de nós e a solução está em nós, por isso não devemos cobrá-la dos outros, afinal, não é do sofrimento proporcionado aos semelhantes que a humanidade progride. Feliz é quem se satisfaz controlando vaidades e ambições mundanas. Feliz é quem pensa na eternidade que o espera e traz para si a felicidade e o êxtase da presença de Deus em seu íntimo.


Segundo o pitagorismo, o número é a essência e princípio fundamental que forma todas as coisas. Os pitagóricos não distinguiam em forma, lei e substância, considerando o número o elo entre estes elementos. Para os pitagóricos, existiam quatro elementos: terra, água, ar e fogo e por isso, eles investigaram as relações matemáticas e descobriram vários fundamentos da física e da matemática.

Além de grandes místicos, os pitagóricos eram grandes matemáticos que descobriram propriedades interessantes e curiosas sobre os números, tal como o número perfeito, que é a soma dos seus fatores multiplicativos igual ao próprio número. Por exemplo: 28 = 1+2+4+7+14.

Assim como outros filósofos gregos pré-socráticos, Pitágoras também descreveu o poder do som e seus efeitos sobre a psique humana. Essa experiência musicoterápica possivelmente foi utilizada mais tarde por Aristóteles como base teórica para sua definição de música, que, segundo ele, era uma arte medicinal.


O símbolo utilizado pela escola era o pentagrama que, conforme descobriu Pitágoras, possui algumas propriedades interessantes. Um pentagrama é obtido traçando-se as diagonais de um pentágono regular. Pelas intersecções dos segmentos desta diagonal é obtido um novo pentágono regular, que é proporcional ao original exatamente pela razão áurea.

O pentagrama é também conhecido como o símbolo do infinito, pois é possível fazer outro pentagrama menor dentro do pentagrama maior e assim sucessivamente. Possui simbologia múltipla, sempre fundamentada no número 5 que expressa a união dos desiguais. Representa uma união fecunda, o casamento, a realização, unindo o 3 masculino com o 2 feminino, simbolizando ainda, o andrógino. O ano de 2012 é um ano número 5 = 2+0+1+2, um ano de união.


Pitágoras foi o primeiro filósofo a criar uma definição que quantificava o objetivo final do Direito: a Justiça. Ele definiu que um ato justo seria a chamada Justiça Aritmética, na qual cada indivíduo deveria receber uma punição ou ganho quantitativamente igual ao ato cometido.

Tal argumento foi refutado por Aristóteles, pois ele acreditava em uma justiça geométrica, na qual cada indivíduo receberia uma punição ou ganho qualitativamente ou proporcionalmente ao ato cometido, ou seja, ser desigual para com os desiguais a fim de que estes sejam igualados com o resto da sociedade.

Pitágoras ficou conhecido também como o filósofo feminista, visto que na escola havia muitas mulheres discípulas e mestres, tais como Theano, que se tornou sua mulher. Mas a comunidade pitagórica de Crotone, inofensiva por natureza e voltada para a busca da paz, durou pouco.


Sua fama despertou o interesse da juventude, de pessoas mais sensíveis, mas também despertou o temor dos déspotas que governavam com mão de ferro os territórios vizinhos. A comunidade foi cercada, incendiada e os discípulos morreram levando consigo a sua filosofia e o misticismo dos números.

Pitágoras conseguiu escapar e peregrinou pela Itália por mais duas décadas transmitindo seus ensinamentos. Ao ser banido, Pitágoras se refugiou em Metaponto onde morreu em 490 a.C. com quase cem anos, uma idade fantástica para aquela época. Seus longos anos de vida diziam ser fruto de sua dieta, meditação e autocontrole.

Apesar de ser iniciador da filosofia ocidental, passou à história como grande matemático, pois ensinava que o universo se sustenta no equilíbrio dos números e apenas esse lado do seu pensamento não incomodou ninguém. O restante de sua obra foi sistematicamente destruído pois representava uma ameaça aos detentores do poder e da riqueza material.  

E não podia ser por menos, Pitágoras sustentava que "O Estado existe para o benefício do governado", uma verdadeira heresia para a maioria dos governantes. Da mesma forma, de tempos em tempos aparecem alguns novos fatalistas, gente que faz dinheiro vendendo ideias de catástrofes sem nenhuma base científica, impingindo medo em pobres crentes de plantão.


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